Ligue 180: Saiba Quando Denunciar Violência Contra a Mulher e Quando Chamar o 190
Desde julho de 2026, uma nova lei federal obriga escolas, hospitais e transporte público a divulgar o Ligue 180. Entenda quando usar o 180, quando chamar o 190 e onde buscar ajuda na região.
O Ligue 180 funciona 24 horas por dia e pode ser acionado por qualquer pessoa que conheça um caso de violência. (Arte: O Foco da Vila Mariana - Imagem Ilustrativa e Informativa)
Desde julho de 2026, uma nova lei federal obriga o poder público a divulgar o número do Ligue 180 em escolas, hospitais, transporte coletivo e outros locais de grande circulação. Na prática, isso significa que esse número vai aparecer com muito mais frequência no dia a dia — em cartazes, ônibus, unidades de saúde. Mas saber que o número existe não é a mesma coisa que saber quando usá-lo.
📞 180 (ligação gratuita, de qualquer lugar do Brasil)
🕐 Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados
📱 WhatsApp oficial: (61) 9610-0180
✉️ E-mail: central180@mulheres.gov.br
🆘 Emergência, com risco imediato: ligue 190 (Polícia Militar)
Ligue 180: o que é e para que serve
O Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, um serviço do Ministério das Mulheres criado em 2005. Ele existe para três coisas: orientar mulheres sobre seus direitos e sobre a rede de proteção disponível, registrar denúncias de violência — que depois são encaminhadas aos órgãos responsáveis — e receber reclamações ou elogios sobre os serviços dessa rede.
O atendimento é sigiloso, e a identificação de quem liga é opcional.
O 180 funciona 24 horas?
Sim. É gratuito, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana — inclusive feriados —, e atende qualquer pessoa em qualquer lugar do Brasil. Além do telefone, dá para acionar o canal pelo WhatsApp (61) 9610-0180, por e-mail ou em Libras.
Qual a diferença entre 180 e 190?
Essa é a dúvida mais importante de todas, e a resposta é simples:
- 180 é para orientação, denúncia e encaminhamento — quando a mulher (ou quem sabe do caso) quer relatar uma situação, pedir informação sobre a rede de proteção ou entender seus direitos.
- 190 é para emergência — quando a violência está acontecendo naquele momento, ou há risco imediato à integridade física de alguém, e é preciso que a Polícia Militar chegue ao local agora.
Na dúvida entre os dois: se o perigo é agora, é 190. Se é uma situação para relatar, orientar ou encaminhar, é 180.
Quem pode denunciar violência contra a mulher?
O Ligue 180 pode ser acionado pela própria mulher em situação de violência — mas não só por ela. Qualquer pessoa que tenha conhecimento do caso pode ligar: familiares, amigos, vizinhos ou testemunhas.
É possível denunciar sem ser a vítima?
Sim. Essa é uma das informações menos conhecidas do serviço. Um vizinho que ouve uma briga com agressão, uma amiga que recebe um relato preocupante, um familiar que percebe sinais de violência — todos podem ligar para o 180. O atendimento é pensado também para quem quer ajudar alguém, não apenas para quem está vivendo a situação diretamente.
Quais tipos de violência podem ser denunciados?
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) reconhece cinco formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O Ligue 180 recebe denúncias de todas elas — e, desde a reformulação recente do serviço, também está preparado para identificar e acolher relatos de violência praticada no ambiente digital, categoria que mais do que dobrou em 2026 em comparação ao ano anterior.
Como pedir ajuda com segurança?
Para quem convive com o agressor, pedir ajuda exige cuidado. Algumas orientações práticas:
- O WhatsApp do Ligue 180 permite fazer contato de forma mais discreta do que uma ligação.
- Sempre que possível, use um aparelho ou linha que o agressor não monitore.
- Ao ligar, você não é obrigada a se identificar — o atendimento é sigiloso.
- Se estiver em risco imediato, priorize sua segurança física antes de qualquer registro: ligue 190 primeiro.
O que fazer em uma situação de emergência?
Se a violência está acontecendo agora, ou há risco imediato, a orientação é uma só: ligue 190 para acionar a Polícia Militar. Não é preciso esperar, documentar ou reunir provas antes de pedir socorro em uma emergência.
Onde buscar ajuda na Vila Mariana e região
Além do Ligue 180, moradoras da Vila Mariana, Aclimação, Cambuci, Vila Monumento, Ipiranga, Paraíso e região da Zona Sul contam com um serviço especializado presencial: a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (2ª DDM), na Avenida Onze de Junho, 89 (fundos), na Vila Clementino — bairro vizinho à Vila Mariana —, com atendimento 24 horas. A unidade registra ocorrências, investiga casos de violência contra a mulher e pode solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Por que denunciar pode ser importante antes que a violência se agrave
Segundo o Ministério das Mulheres, o Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos entre janeiro e julho de 2026 — 90,8% a mais que no mesmo período de 2025. Desse total, quase 100 mil foram denúncias diretas de violência de gênero. O aumento não significa necessariamente mais violência: significa, também, mais gente sabendo que pode e deve buscar ajuda. É exatamente esse o papel da nova lei que torna obrigatória a divulgação do número — fazer com que mais pessoas saibam que esse canal existe, antes que seja tarde.
Perguntas frequentes sobre o Ligue 180
O Ligue 180 é gratuito?
Sim, totalmente gratuito, de qualquer lugar do Brasil.
Posso denunciar pelo WhatsApp?
Sim, pelo número oficial (61) 9610-0180.
Preciso me identificar para ligar?
Não. A identificação é opcional e o sigilo é garantido.
O Ligue 180 substitui a denúncia na delegacia?
Não necessariamente — o 180 orienta, registra e encaminha, mas em muitos casos o passo seguinte é formalizar o registro em uma Delegacia de Defesa da Mulher.
Homens podem ligar para denunciar um caso que presenciaram?
Sim, qualquer pessoa pode acionar o serviço para relatar um caso de violência contra uma mulher.
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Fontes: Ministério das Mulheres (gov.br/mulheres/ligue180), Agência Gov, CNN Brasil, Agência Senado e Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.
Reportagem de Luiz Covelo | O Foco da Vila Mariana




